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Lifelong Learning: o aluno como protagonista do seu ensino

04 de Abril de 2019

Quando falamos em educação nos dias de hoje, vemos que o debate é bem diferente do que ocorria há anos atrás. Durante muito tempo, a educação foi pensada como um linha do tempo com começo, meio e fim.

Atualmente, vemos que a atualização profissional e pessoal das pessoas é um processo contínuo de aprendizagem, ou seja, não se limita às etapas “básicas” da educação, como finalizar o ensino médio, superior e até mesmo uma pós-graduação.

O que se enxerga como modelo mais valioso de educação tem o aprendizado continuado, o lifelong learning, como premissa. A ideia é simples, porém, um tanto reflexiva: o ser humano vive em sociedade de constante mudanças, e essas alterações recorrentes e cada vez mais rápidas pedem mais aprendizados.

Resumindo: o mundo gira rápido, a estrutura social, a economia e o mercado de trabalho sentem essas mudanças com intensidade. Isso reflete nas pessoas, que precisam se aprimorar constantemente em diversos aspectos para continuar a viver e trabalhar de forma produtiva e inteligente.

Mas engana-se quem pensa que apenas as necessidades dos alunos sofreram alterações. Para se adaptar à novas realidades, as Instituições de Ensino também precisam se atualizar, compreender o contexto atual e oferecer soluções que se enquadrem às necessidades do mercado e das pessoas.


O e-learning e os novos modelos de aprendizado


A experiência do aluno é colocada hoje como grande ponto focal do lifelong learning. O conhecimento desenvolvido ao longo da vida e suas vivências são importantes, principalmente quando se fala de educação continuada, um conceito que não combina muito bem com um padrão rígido, dado que pessoas têm diferentes experiências.

Quando falamos de novos modelos, não podemos deixar de abordar a internet como meio viabilizador para transformações e disrupções. O e-learning deu base para novos formatos de cursos online, programas de capacitação e até para propostas educacionais mais extensas, como a graduação e a pós-graduação à distância.

No post de hoje, vamos abordar um pouco mais os novos modelos e essa revolução na aprendizagem e como tudo isso está modificando o panorama do profissional no mercado de trabalho. Vamos focar em 4 pontos:

  1. A internet como fator de revolução na aprendizagem;
  2. O aluno como referência para novos modelos de aprendizagem;
  3. Os novos desafios do conhecimento para o profissional hoje;
  4. O conceito de lifelong learning e a sua aplicabilidade.


O impacto da internet nas mudanças educacionais


A democratização da internet, ocorrida durante os anos 90 e 2000, criou um marco em nossa sociedade. Ela alterou o antigo padrão do capital financeiro, que cedeu parte de sua hegemonia ao capital intelectual.

Essa mudança impactou não apenas a economia, mas também a educação, fazendo com que novos conceitos e processos fossem englobados graças ao desenvolvimento da web. Neste contexto, começam a surgir as primeiras ideias envolvendo a viabilização de programas educacionais e sistemas de aprendizado utilizando a web como plataforma.

A União Europeia se destaca como pioneira ao associar o conceito de educação ao longo da vida com o uso da internet. Países e instituições de ensino da UE analisaram que a internet poderia, sim, ser um mecanismo capaz de possibilitar o spread da educação, aumentando o acesso à capacitação profissional. Isso culminaria em um grande objetivo de longo prazo: se tornar a economia mais competitiva e dinâmica do planeta.

Neste momento, a educação à distância deu seu grande salto em solo europeu, ampliando o acesso e modificando as relações entre alunos, professores e as Instituições de Ensino (IEs).

Em outros cantos do mundo, como nos Estados Unidos, também passaram a enxergar a internet como um viabilizador de novas técnicas e da revolução na aprendizagem. O uso da internet permitiu às Instituições o uso de novas metodologias. Isso criou uma remodelagem no sistema de aprendizado à distância, que, de certa forma, já existia antes da internet com o uso de cartilhas e apostilas enviadas pelo correio.

O processo de ressignificação da educação à distância com base na internet foi batizada de e-learning. A interatividade da internet permitiu a criação de um ensino à distância mais dinâmico, focado não apenas na oferta de conhecimentos unidirecional (do professor para o aluno), mas com base na troca de experiências e na colaboração.

A partir dessa nova dinâmica, começam a surgir inovações como as web aulas (gravadas ou ao vivo), as audioaulas e podcasts e os business games (focados na troca de experiências e aprendizado coletivo e colaborativo).

Não seria exagero dizer que o uso da internet como meio de aprendizado trouxe mudanças tão profundas para a educação quanto a invenção da escrita, já que, antes dela, os conhecimentos eram transmitidos oralmente. Novos formatos surgem, dentre eles, destacam-se exemplos como:

  1. Aprendizagem regulada (controlada por professores e programadores);
  2. Aprendizagem autônoma;
  3. Aprendizagem auto-organizada.


Com esses modelos disponíveis para empresas e instituições de ensino, começa a crescer em todo o mundo o número de universidades corporativas e livre-iniciativas educacionais promovidas por empresas para ampliar os conhecimentos de seus colaboradores.

O grande aumento das UCs se deu, principalmente, pela urgência educacional das empresas e pela inconsistência das antigas escolas de negócio, inclusive no Brasil. Essas instituições, salvo algumas de alta excelência, sofreram para se adaptar à nova realidade introduzida pela internet, principalmente dentro do universo de trabalho.


O aluno como ponto focal dos novos modelos de aprendizagem


Engana-se quem pensa que as instituições de ensino ficaram a par da revolução na forma de consumir. O empoderamento do cliente trouxe mudanças radicais para forma de se desenvolver a educação.

Lembre das antigas escolas, que seguiam um rígido modelo de comportamento e relação, no qual os professores eram autoridades quase militares dentro de um ambiente juvenil. Mesmo em outras esferas educacionais, como o ensino superior, havia uma aura de superioridade do professor que o colocava a quilômetros de distância de seus alunos.

O tal empoderamento do consumidor fomentou o protagonismo do aluno. A ampliação no número de instituições de ensino, é fato, também colaborou para que os alunos fossem mais valorizados. Contudo, a grande mudança se deu pelo fato de que as pessoas passaram a exigir mais participação em sua formação, não aceitando tudo sem questionamentos.

Contudo, não foram apenas a relação de consumo, a concorrência e o empoderamento que trouxeram mudanças para as instituições. O fato do foco estar sobre o aluno reside no acúmulo de experiências fora da sala de aula.

Vivemos uma sociedade da informação na qual a internet se coloca como grande porto de informações, que muitas vezes são trazidas para dentro da sala de aula. Essa transição dos conhecimentos externos tem tudo a ver com a experiência e bagagem de cada um.

Hoje, o professor pode discutir o conteúdo programático elaborado pela instituição, contudo, amanhã pode ser um dia de amplo debate graças a um tema trazido pelo estudante.

Esse tipo de situação está se tornando cada vez mais comum e não representa nenhum demérito. Muito pelo contrário, os alunos se tornaram fundamentalmente essenciais para a qualidade de muitos cursos, dado a riqueza da troca de experiências e construção de um saber colaborativo.


Os novos desafios do conhecimento para o profissional hoje


Com mudanças na forma de se educar, é natural que se alterem também os conceitos do que é um profissional realmente preparado para o mercado. A graduação, mesmo que feita de forma dedicada, se tornou incapaz de preencher todas as lacunas de conhecimento exigidos por um mundo em plena transformação.

Ater-se apenas ao saber acadêmico ou técnico é reduzir a real dimensão, tanto do trabalho quanto das pessoas. Por isso, as empresas passam a avaliar não apenas o currículo, mas a capacidade do colaborador de contextualizar o mundo e se adaptar às mudanças.

Em todo este contexto apresentado até aqui, fica claro que as empresas tomaram a iniciativa de criar programas de educação, além de incentivar o contínuo aprendizado de seus colaboradores. Com esta realidade, passa-se a analisar não apenas a capacidade curricular das pessoas, mas também a comportamental, sendo analisada suas habilidades de relacionamento, liderança e transmissão de conhecimentos.

Sendo assim, é preciso continuar o aprimoramento dos conteúdos, porém, balizando-o junto com as habilidades necessárias para ser uma pessoa atuante e positiva dentro da organização.

Neste cenário, saem vencedores aqueles que mantém sua sede pelo saber e procuram, ao longo de toda a carreira, a atualização profissional. Entra aqui o conceito do próximo tópico, que é o lifelong learning.


O conceito de lifelong learning e a sua aplicabilidade


Nos anos 90, em meio à democratização da internet, surge o conceito de educação ao longo da vida. Uma nova ideologia de ensino que passa a analisar o contexto de mudanças e quais são as formas de estar preparado para elas.

A democratização da educação foi, sem dúvida, algo fundamental no final do segundo milênio, e o surgimento do conceito de educação continuada foi uma resposta a essa realidade.

Com tantas incertezas e mudanças, somados à facilidade de acesso aos conteúdos, se fez sólida a ideia de que as pessoas precisam sempre buscar atualização, tanto para suas atividades profissionais quanto para sua vida pessoal.

O ato de aprender ganha novo significado sobre a nossa sociedade, deixando de ser algo efetuado na escola enquanto somos jovens para se tornar um processo contínuo e sem amarras. As pessoas passam a ter mais opção para se qualificar a aprender, tudo isso em um contexto menos formal e geograficamente limitado.

Se há mais conteúdo e parte dele é obtido conforme a vontade das pessoas, nada mais óbvio do que selecionar aquelas que se interessam pela sua formação e buscam novas formas de aprender constantemente.

Mudanças geram impactos. Nem sempre essas alterações são positivas, contudo, no caso da relação entre tecnologia, sociedade em movimento e educação, é possível dizer que o novo contexto que vivemos é positivo.

As informações estão à disposição, as formas de aprendizados são mais democráticas e acessíveis. Resta a cada um buscar suas estratégias de capacitação e ter em mente que as transformações vividas em nosso mundo não param quando pegamos um diploma.

 

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