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Feedback dos colaboradores: você está escutando seu time?

10 de Outubro de 2018

As relações de trabalho envolvem e demandam comunicação. Os processos de diálogo e interação são alicerce para relações de trabalho mais transparentes e produtivas, evitando interpretações erradas e distorções.

A comunicação ganhou ainda mais importância no universo empresarial conforme as relações de trabalho foram sendo modificadas. 

Está saindo de cena o antigo modelo autoritário em que os colaboradores ouviam e obedeciam calados as ordens de seus superiores, enquanto ganham força os modelos de gestão mais colaborativos e democráticos, no qual reina a comunicação direta e o feedback como ferramentas de correção e melhoria.

O feedback já é um dos velhos conhecidos da gestão empresarial. A diferença é que hoje, diante de modelos mais participativos e que visam a melhoria e não apenas a repreensão dos erros, ele se tornou uma ferramenta bastante utilizada e discutida, principalmente quanto ao direcionamento.

Já é bastante comum para gestores fazer reuniões e sessões individuais de feedback. Porém, existe algo que ainda é um certo “tabu” para alguns líderes: receber e ouvir feedback dos colaboradores.

O feedback reverso é tão fundamental quanto o “tradicional”, produzido pelos gestores para colaboradores. Ele é uma ferramenta de alta eficácia, e traz benefícios como:

  • Busca pelo equilíbrio interno das equipes;
  • Transparência nas decisões;
  • Reflexão sobre processos e condutas;
  • Potencialização da resolução de problemas sem que haja prejuízos para o clima organizacional.

Por isso o texto de hoje tem como principal tema uma pergunta: você está escutando seu time e recebendo feedback dos colaboradores?

Feedback reverso: a importância de ouvir sua equipe

De acordo com a PwC, cerca de 72% dos colaboradores entrevistados em um estudo realizado pela consultoria revelaram a vontade de receber feedback diário ou semanal. Essa conversa de orientação (quando franca e bem estruturada) potencializa a motivação e auxilia na redução de erros em processos importantes. 

Sobre a relação entre os erros e os processos de comunicação, o Professor Helio Gianotti pontua:

“Quando existem problemas de comunicação, os conflitos demoram muito mais para serem resolvidos. É um processo um pouco mais complexo do que se imagina. Quando o gestor não ouve e os colaboradores não se sentem ouvidos, as pesquisas de clima apontam que se fala mal da liderança, mas não de uma maneira específica ”

Em casos sensíveis, como mudanças internas, a comunicação ganha ainda mais peso. Segundo artigo da Holmes Report, há um aumento de 42% na má conduta de colaboradores quando não há uma comunicação plena e esclarecida sobre mudanças corporativas, e isso implica diretamente na qualidade e produtividade. 

Esses são apenas alguns dados que exemplificam a importância e o contexto do feedback. As novas gerações de trabalhadores (os famosos millenials, que estão adentrando o mercado de trabalho) enxergam a prática como algo bastante positivo e capaz de construir algo melhor. 

O grande segredo é que ninguém gosta de apenas ouvir, ainda mais quando se ouve uma crítica sobre algo que não é um erro apenas seu. 

A empresa que estimula a cultura do feedback precisa abrir as duas vias de comunicação e permitir que haja uma liberdade para análise de ambos os lados, e não apenas no lado dos comandado. Afinal, em muitos casos erros operacionais ou de processos são executados pelos colaboradores, mas desenhados pelos seus gestores.

Os problemas que a falta de feedback dos colaboradores pode trazer

Em uma equipe em que há a falta de feedback reverso, alguns sintomas são bastante sensíveis e detectáveis, principalmente quando existe um outro problema corporativo bastante grave: a falta de humildade do gestor, que se enxerga em uma posição de favorecimento, no qual sua autoridade intelectual e hierárquica não podem e nem devem ser contestadas. 

A posição de liderança não é um trono absolutista, ela é uma representação da confiança da empresa na capacidade do profissional. Portanto, se o cargo é meritocrático, cabe ao gestor compreender que um trabalho bem feito pelo seu time reflete em sua carreira, e se o trabalho não está sendo realizado da forma correta, o problema pode estar, também, na liderança exercida. 

De acordo com o professor Helio Gianotti, um dos maiores pecados do gestor é acreditar em uma superioridade desmedida:

“Em alguns casos há um processo de autoimagem descolada da realidade. Muitas vezes o gestor acha que sabe tudo e deixa o lado narcísico tomar conta, fechando as portas para qualquer oportunidade de aprendizado, pois ele acredita que as pessoas que estão abaixo na hierarquia não tem muito a contribuir” 

De acordo com estatísticas compiladas pela Hubspot, colaboradores que recebem feedback são mais engajados, produzem melhor e possuem níveis de motivação maiores do que aqueles que não recebem avaliações constantes de seus gestores. 

Cabe pensar que um líder é, corporativamente falando, um colaborador da empresa. Portanto, sua atuação também é passível de feedback, porém, com uma diferença: é preciso ouvir comandantes e comandados para entender com plenitude a qualidade do trabalho exercido.

Times que vivem sobre uma espécie de repressão do chefe estão mais propensos a ficarem desmotivados, gerar conflitos e ruir com o ambiente corporativo. 

A principal qualidade de um líder é a sua capacidade de analisar o trabalho como um “esporte coletivo”, no qual ele e todos desempenham um papel fundamental para girar as engrenagens

Se há intolerância envolvendo o desempenho do gestor, colaboradores deixam de contribuir para a melhoria e começam a viver em um regime de trabalho no qual ordens e procedimentos não podem ser contestados. Isso é um risco para a empresa, principalmente se a ideia desenvolvida pelo gestor não é alinhada com as expectativas ou se dá resultados aquém do esperado.

Qual a melhor forma de dar e receber feedback?

O feedback bem feito requer alguns preparos e cuidados. Veja abaixo:

1. O canal correto de comunicação faz a diferença

Cada comunicação demanda um canal e o conteúdo dessa comunicação também impacta na forma como ele é absorvido. 

Colocar um feedback (mesmo que positivo) em um grupo do happy hour não vai funcionar muito bem, tenha sempre em mente que é necessário olhar com atenção para a forma como o feedback é transmitido. Dê preferência para a conversa “olho no olho”, tanto para receber quanto para conceder uma avaliação.

2. Utilize a linguagem correta

Em algumas equipes e empresas, a distância entre o nível intelectual e técnico dos gestores e colaboradores pode ser amplo. Portanto, saiba como escrever/falar sua avaliação para os colaboradores, procure se comunicar de forma plena, respeitando as capacidades e limites de cada um.

Sobre o tema da linguagem ideal, o Professor Hélio aponta para algo que muitos gestores não dão a devida atenção:

“Quando o gestor fala, a responsabilidade de adaptar à mensagem é dele. O colaborador não tem o dever de entender. È preciso avaliar se foi utilizado o melhor canal, se houve uma adaptação eficaz da mensagem”

3. Utilize da empatia

Coloque-se no lugar do colaborador, tanto na hora de conceder sua avaliação quanto no momento em que você for avaliado. Observe quais são suas necessidades, suas dores, receios e tente olhar com o menor distanciamento possível, busque a proximidade.

4. Seja transparente

Falar de forma clara, sem entrelinhas e utilizando uma linguagem compatível com o diálogo faz crescer as chances da conversa ser transparente e produtiva, o que gera confiança e abertura entre as partes.

5. Estimule a cultura do feedback

Promova esse tipo de comportamento com sua equipe. O feedback é fundamental para colaboradores e gestores, porém, às vezes é preciso estimular, soltar as amarras e ganhar a confiança das equipes para institucionalizar uma cultura de avaliação constante.

6. Feedback não é bronca o tempo todo

Não deixe que aquela famosa “passadinha na minha sala” se torne objeto de terror. Promova, sim, os feedbacks de ajuste, porém, não deixe de enaltecer o esforço e a resiliência de seus colaboradores, principalmente diante de resultados positivos.


Ouvir é tão importante quanto falar. Há um ditado antigo que diz que temos duas orelhas e uma boca por uma simples razão: precisamos ouvir mais e falar menos. O feedback dos colaboradores é uma arma potente no combate aos maus desempenhos e resultados tímidos. 

Uma cultura de avaliação pode dar gás ao trabalho de quem está desmotivado e ampliar o fôlego das equipes. Todo esse poder se aplica também aos gestores. Portanto pratique o feedback reverso, essa é a melhor forma de impactar positivamente sua rotina e se tornar um líder ainda mais respeitado e eficaz.

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